sábado, 30 de junho de 2018

REFLUXO GASTROESOFÁGICO

O Refluxo Gastroesofágico (RGE) é caracterizado pelo retorno de conteúdo gástrico para o esôfago, atingindo, algumas vezes, a faringe, a boca e as vias aéreas superiores. 
O RGE fisiológico (considerado normal) nos bebês é caracterizado por regurgitações ou golfadas (6 ou mais vezes ao dia), sem perda de peso, sem irritabilidade e sem outras queixas. Afeta até 60 % dos lactentes, pode começar  antes dos 2 meses de idade, mas 90 a 95 % dos casos resolvem até 1 ano de idade.
Já a DOENÇA DO REFLUXO GASTROESOFÁGICO (DRGE) nos bebês se manifesta com regurgitações frequentes, vômitos intensos, dificuldade durante a mamada (se joga para trás ao mamar ou após a mamada), baixo ganho de peso, choro contínuo, irritabilidade e alteração no sono. Nas crianças maiores e adolescentes, as principais queixas são azia, dor atrás do peito e dor no estômago.
O diagnóstico é clínico através da consulta e exame físico. 
Ultrassom de abdome não é mais usado para diagnóstico de RGE, só tendo indicação para excluir malformações como estenose hipertrófica de piloro. Outros exames como phmetria e endoscopia devem só devem ser solicitados por gastropediatra e em casos com refluxo de difícil controle.
No RGE fisiológico não se deve usar medicação e a orientação são medidas posturais: manter o bebê em pé no colo 20 minutos após as mamadas e dormir de barriga para cima com elevação da cabeceira em 30 graus.
O tratamento da Doença do Refluxo Gastroesofágico (DRGE) deve ser avaliado por um gastropediatra e atualmente preconiza-se o uso mínimo de medicações anti-ácidas pelo menor tempo possível. 
Nos bebês com irritabilidade intensa e choro constante, deve-se pensar em ALERGIA À PROTEÍNA DO LEITE DE VACA (APLV) e fazer dieta de exclusão da proteína do leite por 2 a 4 semanas como teste terapêutico.

Esse post foi feito baseado no consenso sobre RGE da SBP (Sociedade Brasileira de Pediatria) e ESPGHAN (European Society for Pediatric Gastroenterology, Hepatology, and Nutrition).

Dúvidas? Me escreva :)
danielagastropediatra@outlook.com

Dra. Daniela Mendonça
Gastropediatra
CRM SC 20908



quarta-feira, 20 de junho de 2018

Você sabia que a pipoca é riquíssima em fibras ?

As fibras auxiliam na prevenção e tratamento da constipação intestinal (intestino preso), pois agem aumentando o volume fecal, estimulando a motilidade intestinal pela distensão do cólon, contribuem pela captação de água e são fermentadas no trato gastrointestinal, estimulando assim o crescimento de bactérias benéficas, que melhoram o trânsito intestinal e a frequência de evacuações.
Todas as frutas, verduras, legumes e alimentos integrais apresentam fibras.
Quando se aumenta a ingestão de fibras, devemos beber mais líquidos, principalmente água, para deixar as fezes bem formadas.
Como a maioria das crianças adora pipoca, é uma ótima opção de lanche.

OBS: A pipoca deve ser oferecida para crianças que já sabem mastigar, de preferência após 2 anos de idade para evitar engasgos.
Dra. Daniela Mendonça 
Gastropediatra
CRM 20908


entrevista Dra. Dani e a nutricionista Fabia - APLV


Segue abaixo a entrevista dada por mim e pela Fabia (nutricionista que trabalha comigo) sobre ALERGIA A PROTEÍNA DO LEITE DE VACA.




domingo, 17 de junho de 2018

Contato


email: danielagastropediatra@outlook.com

Bebidas vegetais podem ser usadas em crianças?

As bebidas vegetais são feitas a partir de extratos vegetais de alimentos como o côco, aveia, arroz, amêndoas e até inhame. 
Apesar de serem vendidas como uma opção para os alérgicos à proteína do leite de vaca, não devem ser utilizadas como substitutas das fórmulas especiais para alérgicos em menores de 2 anos de idade, por não apresentarem nutrientes adequados para crianças pequenas que estão em pleno crescimentos e desenvolvimento.
Até podem ser usadas em preparados, como em pães e bolos, mas não nas mamadeiras dos bebês.
Atualmente, existem várias opções de fórmulas especiais para alérgicos ao leite, converse com seu médico antes de trocar por bebidas vegetais.
Dra. Daniela Mendonça
Gastropediatra
CRM SC 20908



quarta-feira, 2 de maio de 2018


A Doença Celíaca (DC) é uma doença autoimune caracterizada pela inflamação crônica do intestino devido à ingestão do glúten - principal fração protéica presente no trigo, centeio, cevada, aveia e malte (sub-produto da cevada). 

Geralmente aparece na infância, nas crianças com idade entre 1 e 3 anos, mas pode surgir em qualquer idade, inclusive nos adultos e idosos.

Três formas de apresentação clínica da DC são reconhecidas: clássica ou típica, não clássica ou atípica, e assintomática ou silenciosa :

I Forma Clássica: caracterizada por diarréia crônica (diarréia que dura mais de 30 dias), em geral acompanhada de distensão abdominal e perda de peso. É um quadro mais grave e mais frequente em crianças pequenas.

II Forma Atípica: caracteriza-se por quadro com poucos sintomas, em que as manifestações digestivas estão ausentes ou, quando presentes, ocupam um segundo plano. 
Os pacientes deste grupo podem apresentar manifestações isoladas, como, por exemplo, baixa estatura, anemia por deficiência de ferro refratária à reposição de ferro por via oral, anemia por deficiência de folato e vitamina B12, osteoporose, hipoplasia do esmalte dentário, artralgias ou artrites, constipação intestinal crônica, atraso puberal, irregularidade do ciclo menstrual, esterilidade, abortos de repetição, ataxia, epilepsia (isolada ou associada à calcificação cerebral), neuropatia periférica, miopatia, manifestações psiquiátricas - depressão, autismo, esquizofrenia -, úlcera aftosa recorrente, elevação das enzimas hepáticas sem causa aparente, fraqueza, perda de peso sem causa aparente, edema de aparição abrupta após infecção ou cirurgia e dispepsia não ulcerosa.

III Forma Silenciosa: caracterizada por alterações sorológicas e histológicas da mucosa do intestino delgado compatíveis com DC, na ausência de manifestações clínicas. Geralmente diagnosticada nos parentes de primeiro grau dos pacientes com DC.

O diagnóstico é feito por meio dos marcadores sorológicos (que é um exame de sangue) e confirmado com a biópsia do intestino delgado através da endoscopia digestiva alta.
O tratamento da DC consiste na dieta sem glúten, devendo-se, portanto, excluir da alimentação alimentos que contenham trigo, centeio, cevada, malte e aveia, por toda a vida.

OBS: Doença celíaca é diferente de intolerância ao glúten e diferente de alergia ao trigo.

Na dúvida, procure um gastropediatra.

Dra. Daniela Mendonça
Gastropediatra
CRM SC 20908
danielagastropediatra@outlook.com
www.danielagastropediatra.com.br


terça-feira, 3 de abril de 2018

O EXAME PARA ALERGIA AO LEITE DEU POSITIVO, MAS MEU FILHO NÃO TEM SINTOMAS, O QUE FAÇO?

Recebo essa pergunta todos os dias, então vamos lá explicar um pouco sobre os exames para alergia alimentar.
O exame de sangue que avalia alergia alimentar é o antigo RAST IgE e atual IMMUNOCAP e dosa o anticorpo IgE para determinada proteína alimentar. É indicado na suspeita de ALERGIA ALIMENTAR MEDIADA POR IGE, ou seja, para pacientes que apresentam reação imediata na hora ou até 2 horas após a ingestão do alimento evoluindo com lesões na pele (urticária), angioedema (inchaço de lábios e olhos) e até edema de glote (choque anafilático). Nesses casos, o exame laboratorial é realizado para confirmar a alergia e direcionar o tratamento.
Existe também o PRICK TEST ou Teste de contato que é mais utilizado para acompanhamento do paciente alérgico alimentar e não para diagnóstico.
Mas se seu filho tem um exame positivo para leite ou outro alimento e não apresenta reações ao ingerir, isso significa SENSIBILIZAÇÃO POR EXPOSIÇÃO e não há indicação de retirar esse alimento da dieta.
Já a ALERGIA À PROTEÍNA DO LEITE DE VACA NÃO MEDIADA POR IGE é caracterizada por sintomas gastrointestinais como diarreia crônica, diarreia com sangue e muco, vômitos, assadura de difícil controle, cólicas intratáveis e/ou baixo ganho de peso e o diagnóstico é CLÍNICO, ou seja, não há exames laboratoriais para confirmação.
O paciente com alergia alimentar deve ser acompanhado por  um gastropediatra e/ou um alergista em associação a um nutricionista com conhecimento e experiência em alergia alimentar.
Dúvidas? Me escreva 😊
Dra. Daniela Mendonça
Gastropediatra
CRM SC 20908
danielagastropediatra@outlook.com
www.danielagastropediatra.com.br