quarta-feira, 2 de maio de 2018


A Doença Celíaca (DC) é uma doença autoimune caracterizada pela inflamação crônica do intestino devido à ingestão do glúten - principal fração protéica presente no trigo, centeio, cevada, aveia e malte (sub-produto da cevada). 

Geralmente aparece na infância, nas crianças com idade entre 1 e 3 anos, mas pode surgir em qualquer idade, inclusive nos adultos e idosos.

Três formas de apresentação clínica da DC são reconhecidas: clássica ou típica, não clássica ou atípica, e assintomática ou silenciosa :

I Forma Clássica: caracterizada por diarréia crônica (diarréia que dura mais de 30 dias), em geral acompanhada de distensão abdominal e perda de peso. É um quadro mais grave e mais frequente em crianças pequenas.

II Forma Atípica: caracteriza-se por quadro com poucos sintomas, em que as manifestações digestivas estão ausentes ou, quando presentes, ocupam um segundo plano. 
Os pacientes deste grupo podem apresentar manifestações isoladas, como, por exemplo, baixa estatura, anemia por deficiência de ferro refratária à reposição de ferro por via oral, anemia por deficiência de folato e vitamina B12, osteoporose, hipoplasia do esmalte dentário, artralgias ou artrites, constipação intestinal crônica, atraso puberal, irregularidade do ciclo menstrual, esterilidade, abortos de repetição, ataxia, epilepsia (isolada ou associada à calcificação cerebral), neuropatia periférica, miopatia, manifestações psiquiátricas - depressão, autismo, esquizofrenia -, úlcera aftosa recorrente, elevação das enzimas hepáticas sem causa aparente, fraqueza, perda de peso sem causa aparente, edema de aparição abrupta após infecção ou cirurgia e dispepsia não ulcerosa.

III Forma Silenciosa: caracterizada por alterações sorológicas e histológicas da mucosa do intestino delgado compatíveis com DC, na ausência de manifestações clínicas. Geralmente diagnosticada nos parentes de primeiro grau dos pacientes com DC.

O diagnóstico é feito por meio dos marcadores sorológicos (que é um exame de sangue) e confirmado com a biópsia do intestino delgado através da endoscopia digestiva alta.
O tratamento da DC consiste na dieta sem glúten, devendo-se, portanto, excluir da alimentação alimentos que contenham trigo, centeio, cevada, malte e aveia, por toda a vida.

OBS: Doença celíaca é diferente de intolerância ao glúten e diferente de alergia ao trigo.

Na dúvida, procure um gastropediatra.

Dra. Daniela Mendonça
Gastropediatra
CRM SC 20908
danielagastropediatra@outlook.com
www.danielagastropediatra.com.br


terça-feira, 3 de abril de 2018

O EXAME PARA ALERGIA AO LEITE DEU POSITIVO, MAS MEU FILHO NÃO TEM SINTOMAS, O QUE FAÇO?

Recebo essa pergunta todos os dias, então vamos lá explicar um pouco sobre os exames para alergia alimentar.
O exame de sangue que avalia alergia alimentar é o antigo RAST IgE e atual IMMUNOCAP e dosa o anticorpo IgE para determinada proteína alimentar. É indicado na suspeita de ALERGIA ALIMENTAR MEDIADA POR IGE, ou seja, para pacientes que apresentam reação imediata na hora ou até 2 horas após a ingestão do alimento evoluindo com lesões na pele (urticária), angioedema (inchaço de lábios e olhos) e até edema de glote (choque anafilático). Nesses casos, o exame laboratorial é realizado para confirmar a alergia e direcionar o tratamento.
Existe também o PRICK TEST ou Teste de contato que é mais utilizado para acompanhamento do paciente alérgico alimentar e não para diagnóstico.
Mas se seu filho tem um exame positivo para leite ou outro alimento e não apresenta reações ao ingerir, isso significa SENSIBILIZAÇÃO POR EXPOSIÇÃO e não há indicação de retirar esse alimento da dieta.
Já a ALERGIA À PROTEÍNA DO LEITE DE VACA NÃO MEDIADA POR IGE é caracterizada por sintomas gastrointestinais como diarreia crônica, diarreia com sangue e muco, vômitos, assadura de difícil controle, cólicas intratáveis e/ou baixo ganho de peso e o diagnóstico é CLÍNICO, ou seja, não há exames laboratoriais para confirmação.
O paciente com alergia alimentar deve ser acompanhado por  um gastropediatra e/ou um alergista em associação a um nutricionista com conhecimento e experiência em alergia alimentar.
Dúvidas? Me escreva 😊
Dra. Daniela Mendonça
Gastropediatra
CRM SC 20908
danielagastropediatra@outlook.com
www.danielagastropediatra.com.br




sexta-feira, 23 de março de 2018

Procure um Gastropediatra - INTESTINO PRESO

Continuando a série de dicas para ajudar a criança com intestino preso, vamos para a DICA 3 que é super importante.
Mães, pais e familiares, antes de se culparem e acharem que vcs erraram na alimentação ou no desfralde ou por qualquer outro motivo que causou a constipação intestinal no seu filho, procure um GASTROPEDIATRA para avaliação clínica e tratamento.
Existem doenças que podem causar o intestino preso, como hipotireoidismo (a tireoide não funciona direito) e doença celíaca (intolerância permanente ao glúten) e má formação intestinal, como megacólon congênito.
A maioria dos casos são de constipação intestinal FUNCIONAL, ou seja, não tem nenhuma doença e a criança traumatizou após uma evacuação dolorosa e, por isso segura o cocô. Essas crianças respondem muito bem ao tratamento e melhoram.
Portanto, se a criança está com dificuldade para evacuar, faz fezes endurecidas, grosseiras, com esforço e dor e/ou demora dias para conseguir evacuar, procure um gastropediatra!
Dra. Daniela Mendonça
Gastropediatra
CRM SC 20908
danielagastropediatra@outlook.com



quarta-feira, 21 de março de 2018

Calendário do cocô


Vamos brincar um pouco com a criança e tornar o momento da evacuação mais feliz?

O CALENDÁRIO DO COCÔ é o que chamamos de calendário de reforço positivo e funciona assim:

Todos os dias vamos estimular a criança a fazer cocô, quando fizer, além da comemoração, ela vai colar um adesivo no calendário. Quando juntar 3 adesivos (3 dias fazendo cocô), terá direito a um prêmio (pode ser um brinquedo baratinho, uma ida no parquinho). E conforme for aceitando as idas ao banheiro, vamos aumentando o desafio, se conseguiu 3 dias, aumenta-se para 5 dias e assim por diante. Quando conseguir preencher o calendário todo com adesivos (ou seja, começar a fazer cocô todos os dias), poderá escolher o presente que mais quer.

E os dias que não conseguir evacuar, não se deve brigar e sim continuar estimulando.

Essa é uma brincadeira para estimular a criança e deve ser feito de forma tranquila e leve.

Dra Daniela Mendonça
Gastropediatra
CRM SC 20908


Treinamento de Toilete


TREINAMENTO DE TOILETE é estabelecer um horário para evacuar, ou seja, colocar a criança no vaso sanitário e estimular que faça cocô todos os dias no mesmo horário, de preferência após alguma refeição (café da manhã é melhor). O recomendado é não ultrapassar de 5 minutos no banheiro e não brigar se não conseguir evacuar.

Dra Daniela Mendonça
Gastropediatra
CRM SC 20908



quarta-feira, 14 de março de 2018

Chocolate zero lactose ou sem leite?


A Páscoa no Brasil é comemorada com ovos de chocolate e por isso, precisamos saber a diferença entre chocolate SEM LACTOSE (ou zero lactose) e chocolate SEM LEITE (sem a proteína do leite de vaca).


Os produtos SEM LACTOSE são desenvolvidos para as pessoas que apresentam INTOLERÂNCIA À LACTOSE, que é a má absorção da lactose (açúcar do leite) no intestino devido à deficiência da enzima lactase. Esses produtos contêm leite (a proteína do leite), mas são acrescidos de lactase para terem uma quantidade mínima de lactose podendo ser consumidos pelos intolerantes à lactose. 

Saiba mais: Intolerância à lactose

Já os pacientes com ALERGIA A PROTEÍNA DO LEITE DE VACA (APLV) devem consumir produtos SEM A PROTEÍNA DO LEITE DE VACA (alguns casos também devem evitar a proteína da soja – APLV NÃO MEDIADA POR IGE NÃO DEVE CONSUMIR A PROTEÍNA DA SOJA). 

Na APLV, o sistema de defesa reage contra a proteína do leite de vaca e as reações são variáveis, desde colite alérgica que é a presença de diarreia com sangue e muco até reação anafilática, dependendo do mecanismo imunológico envolvido. O ideal é sempre ler o rótulo que tem que especificar os ingredientes presentes no alimento.

Saiba mais: APLV

Na dúvida, consulte seu médico assistente ou marque consulta com um gastropediatra.

Dra. Daniela Mendonça
Gastropediatra
CRM SC 20908

danielagastropediatra@outlook.com





Desfralde

Entrevista no Programa Ver Mais Itajaí sobre desfralde comigo e com a Dra Karina Heusser pediatra.

Quer saber mais? Assista abaixo :)